Mercado Financeiro

O Cabo de Guerra da Economia: Governo e Mercado Divergem em Quase 35% nas Projeções de Crescimento do PIB

Agência Brasil
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O Cabo de Guerra da Economia: Governo e Mercado Divergem em Quase 35% nas Projeções de Crescimento do PIB

Um novo relatório técnico lançado pelas consultorias de Orçamento do Senado e da Câmara dos Deputados revela uma significativa divergência nas projeções econômicas para os próximos anos. O Poder Executivo mantém uma visão muito mais otimista, projetando taxas de crescimento do PIB para 2025 que são aproximadamente 16% superiores às estimativas do mercado financeiro. Para o período de 2026 a 2028, a diferença aumenta, com o governo prevendo um crescimento cerca de 30% a 35% superior ao esperado pelo setor privado.

A divergência também se estende à inflação. Embora as projeções para o IPCA de 2025 estejam convergindo, para o triênio seguinte (2026 a 2028), o Executivo espera inflação significativamente menor do que a estimativa do mercado, com diferenças que chegam a 0,84 ponto percentual. Essa discrepância reflete, em parte, o rigor técnico do mercado versus as metas políticas do governo.

A nota técnica também joga luz sobre os gastos tributários (renúncias de receitas). Para 2026, o montante previsto é de R$ 612,8 bilhões, o que equivale a 4,43% do PIB. Embora o Brasil esteja longe da meta constitucional de reduzir esses benefícios para 2% do PIB, a trajetória indica uma estabilização após picos como 4,89% em 2024.

O documento, datado de 7 de outubro de 2025, destaca que o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2026 prevê um resultado primário superavitário de R$ 34,54 bilhões, desconsiderando precatórios. O dilema entre o otimismo do governo e a cautela do mercado reforça a instabilidade e a incerteza para o investidor, que precisa considerar ambos os cenários em seu planejamento.

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